Categoria: Notícias

Mais de 60 países têm dificuldades em pagar importações de alimentos

  • Ago 19
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 10 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

A informação provém de um e-mail confidencial de uma reunião de uma ‘task-force’ da ONU criada em março, depois de a Rússia ter invadido o maior produtor de alimentos (Ucrânia) para fornecer propostas de políticas para lidar com crises nos sectores de energia, finanças e alimentos.

Mais de 60 países em todo o mundo estão com dificuldades em pagar as importações agrícolas, de acordo com uma ‘task force’ especial da ONU criada no início deste ano, atendendo à crescente insegurança alimentar após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A ‘task force’ está a concentrar a sua atenção em dezenas de países em todo o mundo, incluindo a Colômbia, o Malawi, o Paquistão e Mianmar, segundo um documento a que o “Politico” teve acesso.

O resumo de uma reunião liderada por funcionários da ONU a 28 de julho diz que a ‘task force’ “continua concentrada nos altos custos das importações que afetam o balanço dos pagamentos em mais de 60 países”, bem como nos desafios de segurança alimentar decorrentes da desvalorização de taxas de câmbio e de orçamentos nacionais com dificuldades para pagar “importações essenciais”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, formou o Grupo de Resposta a Crises Globais (GCRG – Global Crisis Response Group), composto por 32 membros, em março, depois de a Rússia ter invadido o maior produtor de alimentos (Ucrânia), em fevereiro, para fornecer propostas de políticas para lidar com crises nos sectores de energia, finanças e alimentos.

Desde então, uma rede de intervenientes importantes da fome mundial têm assessorado a componente alimentar do GCRG, liderado em conjunto pelo chefe do Programa Ambiental da ONU, Inger Andersen, e pelo enviado especial para a Covid-19 na Organização Mundial da Saúde (OMS), David Nabarro.

O documento a que o “Politico” teve acesso é um e-mail de Nabarro enviado a 4 de agosto, resumindo a reunião de 28 de julho.

Nabarro escreveu que os participantes da reunião destacaram como “na Serra Leoa, o consumo de alimentos nutritivos pelas pessoas mais pobres está a diminuir, como resultado do aumento dos preços. Riscos semelhantes estão a ser relatados na Colômbia, Congo, Chade, Equador, Iraque, Quénia, Malawi e Mauritânia”.

O e-mail aponta ainda que “organizações de consumidores relatam que os preços estão a aumentar cada vez mais rapidamente no Paquistão, Mianmar, Peru, Malawi, Burundi e Nigéria, com um número crescente de pessoas a pagar acima das possibilidades por necessidades básicas. Cerca de doze governantes estão perto do incumprimento no pagamento de dívidas e muitos procuram oportunidades de alívio das dívidas”.

Este grupo consultivo informal de crise alimentar já se reuniu 13 vezes este ano, mas não há menção da sua existência no site da ONU. Um porta-voz das Nações Unidas disse que não poderia comentar imediatamente.

Um participante da reunião de 28 de julho disse não haver adesão fixa ao grupo, e que cerca de 30 a 40 pessoas foram convidadas a participar na última reunião.

Governo da Madeira apoiou 39 desempregados a criarem o próprio negócio este ano

  • Ago 19
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 10 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

Desde a criação do programa, em 2015, o Instituto de Emprego da Madeira “aprovou 456 projetos de criação da própria empresa, num total de 790 postos de trabalho, o que representa um investimento global de 7,86 milhões de euros”, salienta a tutela numa nota distribuída à comunicação social.

O Governo da Madeira apoiou este ano 39 empresários que se encontravam desempregados a criarem os seus negócios, num investimento de 682 mil euros, anunciou esta quarta-feira a secretária regional da Inclusão e Cidadania.

Rita Andrade indicou que, desde o início do ano, foram criadas 39 empresas, que representam 65 novos postos de trabalho e um investimento de 682 mil euros por parte do Instituto de Emprego da Madeira (IEM), no âmbito do Programa de Criação de Empresas e Emprego (CRIEE).

A governante falava aos jornalistas na cerimónia de entrega de mais onze contratos de concessão de incentivos para a criação de novas empresas, que decorreu no salão nobre do Governo Regional (PSD/CDS-PP), no Funchal.

Estas onze empresas vão criar 17 postos de trabalho e tiveram um apoio total de 174,2 mil euros.

A responsável pela Inclusão e Cidadania salientou que o apoio dado pelo IEM contempla a criação do posto de trabalho do beneficiário, podendo estender-se até mais três pessoas contratadas.

Além disso, é apoiado o investimento do empresário, que “varia de setor para setor”, notou Rita Andrade, acrescentando ainda que é concedido apoio técnico para que “os projetos e os negócios corram bem”.

Em caso de o negócio “correr mal” nos primeiros três anos de atividade, o apoio financeiro concedido pelo Instituto de Emprego tem de ser devolvido, lembrou.

No ano passado, o IEM celebrou 45 contratos de concessão de incentivos de projetos, num total de 82 postos de trabalho, que equivale ao montante total de 848,6 mil euros.

Desde a criação do programa, em 2015, o Instituto de Emprego da Madeira “aprovou 456 projetos de criação da própria empresa, num total de 790 postos de trabalho, o que representa um investimento global de 7,86 milhões de euros”, salienta a tutela numa nota distribuída à comunicação social.

A Secretaria Regional da Inclusão Social e Cidadania refere na mesma informação que o CRIEE visa “apoiar a criação do próprio emprego por parte de desempregados que tenham espírito empreendedor e apresentem um projeto de investimento viável, bem como contribuir para a criação de outros postos de trabalho que sejam necessários ao desenvolvimento do projeto”.

Exportações de vinhos descem 1,28% em valor para 432 milhões de euros até junho

  • Ago 18
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 9 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

A associação ViniPortugal destacou o crescimento destas exportações em mercados como Angola (+55,2%) e Japão (+21,6%). No sentido contrário, a Rússia apresentou uma queda de 62,1% neste período.

 

As exportações de vinhos portugueses desceram 1,28% em valor na primeira metade do ano para mais de 432 milhões de euros, segundo dados divulgados esta terça-feira pela ViniPortugal.

“[…] De janeiro a junho de 2022 registou-se um decréscimo de 1,28% em valor nas exportações comparativamente com o período homólogo de 2021, tendo ultrapassado os 432 milhões de euros (menos 5,6 milhões de euros face ao mesmo período de 2021)”, indicou, em comunicado, a ViniPortugal.

A associação destacou o crescimento destas exportações em mercados como Angola (+55,2%) e Japão (+21,6%). No sentido contrário, a Rússia apresentou uma queda de 62,1% neste período.

A China, Alemanha e Suécia também estão entre as principais descidas, com perdas de, respetivamente, 47,7%, 12,8% e 16,8%.

Entre janeiro e junho, as exportações de vinhos portugueses para o mercado comunitário apresentaram uma quebra em valor de 5,1%, enquanto os países terceiros aumentaram 2,2% em comparação com o mesmo período de 2021.

“As exportações de vinho estão a cair há alguns meses, números que começámos a prever desde o momento em que os produtores registaram falta de matéria-prima na sua produção e problemas na sua distribuição”, afirmou, citado no mesmo documento, o presidente da ViniPortugal — Associação Interprofissional do Vinho, Frederico Falcão.

Para este responsável, a conjuntura internacional é a principal causa deste retrocesso, que contrariou o crescimento de dois dígitos, verificado em “grande parte” de 2021 e no início do corrente ano.

“Como tal, acreditamos, ainda assim, que possamos terminar 2022, com um balanço positivo”, concluiu.

14 dos últimos 20 anos foram de pouca chuva

  • Ago 18
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 9 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

A propósito do período de seca que o país atravessa, com 55% do território continental em classe de seca severa e 45% em seca extrema, o IPMA alerta que em algumas das secas meteorológicas mais recentes os períodos secos duram mais tempo e “têm uma configuração espacial mais abrangente”.

 

Nos últimos 20 anos só em seis choveu o considerado normal, em relação ao período 1970-2000, indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que alerta para secas mais longas e mais abrangentes.

“Em 14 dos últimos 20 anos registámos défice de precipitação em relação ao período 1970/2000, situação que propicia a ocorrência de períodos em que o território continental estará nas classes mais elevadas da seca meteorológica e consequentemente seca agrícola e hídrica”, disse fonte oficial do IPMA em resposta a perguntas da Lusa.

A propósito do período de seca que o país atravessa, com 55% do território continental em classe de seca severa e 45% em seca extrema, o IPMA alerta que em algumas das secas meteorológicas mais recentes os períodos secos duram mais tempo e “têm uma configuração espacial mais abrangente”.

E se ciclicamente a região sul do continente é a que regista maiores períodos de seca meteorológica, nos últimos anos mais regiões ficam em classes mais elevadas do índice de seca, nomeadamente a região norte transmontana e também o norte litoral, explicou a fonte do IPMA.

Se for considerado o ano hidrológico, que vai de 1 de outubro a 30 de setembro do ano seguinte, o atual ano, até à data, é o segundo mais seco de sempre (desde 1931, quando começaram a ser compilados os dados), só ultrapassado pelo ano hidrológico 2004/2005.

Se forem considerados os números apenas entre janeiro e julho (ano civil) o IPMA nota que o ano mais seco foi o de 2005, seguindo-se 2012, pelo que este é terceiro ano mais seco desde 1931.

De acordo com dados da página oficial do IPMA sobre a monitorização da seca, atualizados na segunda-feira, no último ano nunca o país esteve sem seca em alguma região.

Em julho do ano passado quase 40% do território continental estava normal e o restante em seca fraca, moderada ou severa. A situação agravou-se em agosto (22% do território) mas melhorou nos dois meses seguintes. Só que a partir de novembro piorou significativamente, só 8,1% do território estava então em condição considerada normal, passando a 6,3% em dezembro, ou seja piorando ainda mais.

A partir de janeiro deste ano todo o continente entrou em regime de seca, até hoje. Desde então tem predominado a seca extrema e a seca severa, exceções para março e abril em que a seca foi predominantemente moderada.

Segundo a fonte do IPMA ter áreas do continente em seca desde o início do ano hidrológico é uma “situação recorrente”, especialmente na região sul. Aliás, afiança a fonte, “já ocorreram secas meteorológicas que duraram mais do que um ano hidrológico”.

Este ano, apontou, o mês de março até teve precipitação acima do normal, quer na região norte (aproximadamente 130%), quer na região sul, com aproximadamente 200%.

Segundo a fonte até tem sido registada precipitação, mensalmente, em todo o território, durante o presente ano hidrológico.

“O que acontece é que os valores são muito reduzidos face ao que consideramos normal, isto é, quantidade de precipitação pouco expressiva quando estamos numa situação de défice de precipitação persistente”, acrescentou.

Governos da UE gastaram 32,9 mil milhões de euros em proteção contra incêndios em 2020

  • Ago 17
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 9 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

Em 2021, a participação nas despesas totais do governo geral foi de 0,5%, revelou hoje o Eurostat.

O Eurostat revelou esta terça-feira que os governos da União Europeia gastaram 32,9 mil milhões de euros em proteção contra incêndios em 2020, uma subida relativamente a 2019.

Assim, o organismo de estatísticas comunitário indica que “em 2020, as despesas das administrações públicas nos 27 Estados-Membros da UE em ‘serviços de proteção contra incêndios’ ascenderam a 32,9 mil milhões de euros, um aumento de 6,4% em relação a 2019, quando as despesas rondaram os 30,9 mil milhões de euros”.

A participação nas despesas totais do governo geral foi de 0,5%. Por sua vez, as despesas governamentais com serviços de proteção contra incêndios na UE, a nível global, permaneceram estáveis ​​em cerca de 0,4 e 0,5% da despesa total desde o início da série cronológica em 2001.

Por países, em 2020, a Dinamarca reportou a menor percentagem de despesas com serviços de proteção contra incêndios nas despesas totais, com 0,1%, seguida pela Islândia, com 0,2% e Bélgica, Malta, Áustria, Portugal e Eslovénia, com 0,3% das despesas totais. Por outro lado, a Roménia teve a maior percentagem de despesas com serviços de proteção contra incêndios com 0,8%, seguida pela Bulgária, República Checa, Alemanha, Estónia, Grécia, Lituânia e Luxemburgo com 0,6%.

O Eurostat ainda não divulgou dados sobre as despesas com incêndios em 2021, mas sim sobre o número de bombeiros que trabalham na UE. Segundo o serviço de estatística da UE, “em 2021, cerca de 365 mil pessoas estavam empregadas como bombeiros profissionais na UE, representando 0,2% do emprego total da UE”.

Estónia, Chipre, Roménia e Eslováquia (todos cerca de 0,4% do emprego total) registaram a maior proporção de bombeiros nas respetivas forças de trabalho. Relativamente à idade, a maioria dos bombeiros é relativamente jovem, e pertence a grupos etários 35-39 anos e 40-44 anos os que apresentam o maior número de pessoas, cerca de 61 000 cada.

Dona da M&M’s e Pedigree supera vendas da Coca-Cola

  • Ago 17
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 7 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

O diretor da Mars em Portugal revela que em 2020 a empresa teve uma queda de 10% nas vendas, devido à pandemia, mas este ano já conta com um aumento de 15% face a 2019. “É o melhor ano que tivemos”, afirma ao JE.

Pode-se dizer que não falta açúcar nas contas da Mars, que depois de uma pandemia com efeitos negativos na faturação, inverteu a tendência de queda e no ano passado superou a gigante Coca-Cola, ao aumentar em 50% as vendas para aproximadamente 45 mil milhões de dólares (44,3 mil milhões de euros). A proprietária de marcas de chocolate, guloseimas e comida para animais espera que as receitas em Portugal superem até os níveis-pandemia – e tudo por causa dos amigos de quatro patas.

“O recorde foi também em Portugal. Em 2020 sofremos, caímos cerca de 10% em relação a 2019, e no ano passado recuperámos 70% dessa queda, subimos 7% e agora em 2022 vamos fechar o ano com mais 15%, o que faz com que tenhamos superado em 10% o ano de 2019, que tinha sido o melhor dos últimos dez”, revelou o diretor da Mars em Portugal, em entrevista exclusiva ao Jornal Económico (JE). João Sagreira reconhece que “alguns dos efeitos” da redução do poder de compra dos portugueses devido à inflação já se sentem, porém mantém as previsões otimistas.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor

Faturação da Adega Mayor sobe 10% em 2021 para 5,6 milhões

  • Ago 16
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 4 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

A faturação da Adega Mayor subiu 10% em 2021, face a 2020, para 5,6 milhões de euros, diz à Lusa a presidente executiva (CEO), Rita Nabeiro, que avança investimentos de 500 mil euros entre 2022 e 2023.

 

A Adega Mayor “fez 15 anos no dia 15 de junho deste ano”, diz Rita Nabeiro, que elege os “dois últimos anos” como aqueles que foram “particularmente desafiantes” na vida da empresa, que faz parte do grupo Nabeiro.

“Destaco precisamente este período da pandemia porque foi um momento que ajudou a equipa a estar mais unida e a superar algumas das nossas metas”, sublinha, referindo que conseguir, “em particular, no ano passado, o melhor ano de sempre” em termos de resultados “é gratificante”.

A faturação da Adega Mayor em 2021 foi “5,6 milhões de euros, sendo que ficámos acima do ano 2019 e vínhamos sempre com crescimento constante”, prossegue Rita Nabeiro. Face a 2020, o crescimento foi de 10%.

A ideia é ter crescimentos “sustentados que nos possam permitir ir adaptando as infraestruturas”, afirma a responsável, salientando que “mais do que só crescer por volume, a Adega Mayor tem uma estratégia” de se focar “no que é a construção de valor”, nomeadamente em momentos como o que se vive atualmente – em que “vai haver pressão nos preços, nas famílias”.

Construir uma marca leva tempo, “mas depois o retorno acaba por ser consistente e essa consistência acaba por ajudar à afirmação no mercado”, salienta.

Questionada sobre como correu a primeira metade do ano, a CEO diz que a Adega Mayor continua “com crescimento”, ressalvando que este ano está a ser comparado com um período distinto, o de 2021, em que o primeiro trimestre foi penalizado.

“Arrancámos com um atraso no primeiro trimestre de quase 50% de quebra de vendas porque estivemos confinados e tivemos que recuperar tudo o que tínhamos perdido nesse primeiro trimestre e não só [pois] até ao primeiro semestre o mercado estava fechado”, recorda, salientando que o canal HoReCa (Hotéis, Restaurantes e Cafés) caiu.

Depois, “conseguiu recuperar desse atraso e ficar ainda acima daquilo que foi 2019, foi de facto um momento de superação. Este ano estamos também com boas perspetivas de eventualmente atingir os nossos objetivos e ficar acima do ano anterior”, avança.

A pandemia levou também a que investimentos que não fossem prioritários fossem adiados.

“A Adega Mayor faz parte de um grupo empresarial e a pandemia acaba por ter um impacto no negócio”, em particular para quem trabalha com o canal HoReCa, “não temos só a produção de vinho, nem só de café”, neste caso no grupo Nabeiro, “também temos toda a distribuição e comercialização”, sublinha a empresária.

Por isso, o que não era prioritário foi adiado durante a pandemia: “Havia temas que eram importantes, mas que não eram prioritários e que agora é tempo de andar para a frente e retomar esses projetos, não queríamos era pesar naquilo que eram os custos do grupo”, explica.

“A curto prazo temos feito investimentos que são mais de ordem funcional, por um lado investimento a nível da transição digital, que já vínhamos fazendo”, ter processos digitalizados é importante, nomeadamente quando se tem equipas dispersas geograficamente, como entre Lisboa e Campo Maior, para poder acompanhar informação atualizada, refere.

“Por outro lado, tudo o que tem a ver com a agricultura, esta transição para modo de produção biológico, temos que ter outro tipo de metodologias agrícolas”, o que “tem custos elevados”, mas também “estamos a falar de infraestruturas, por exemplo, o edifício que “já tem 15 anos”, diz, referindo-se à obra do arquiteto Siza Vieira, que vai exigindo manutenção constante para que não se deteriore.

“Para o futuro, além destes investimentos, temos uma segunda adega”, sendo que a “adega desenhada pelo Siza Vieira é o nosso espaço emblemático”, salienta.

A Adega Mayor tem um investimento previsto de 500 mil euros este ano em 2023 e “mais de um milhão de euros” para a nova adega no futuro.

O valor da nova adega “vai ter que ser revisto, tendo em atenção” que os preços no “setor da construção têm disparado loucamente” e “mais de um milhão de euros certamente” será, afirma a empresária.

O próprio projeto arquitetónico, que foi pensado há quase três anos, será repensado, até porque “o crescimento tem sido um pouco até acima daquilo que tínhamos previsto e temos de acautelar que outro tido de necessidades” venham a surgir, explica a CEO.

Quanto ao negócio do enoturismo, que vale quase 5% da faturação, este foi “muito impactado durante os últimos dois anos”, mas está agora “novamente a retomar, “mas não aos níveis de 2019, em termos de visitantes”.

No entanto, o preço médio de compras por visitante à porta da adega “aumentou substancialmente” e a Adega Mayor está a trabalhar “para ter programas mais inclusivos com as famílias”, diz.

Relativamente à biocosmética, a Adega Mayor decidiu procurar parceiros que ajudassem “a trilhar este caminho mais rápido” e surgiu uma “cocriação com uma pequena empresa portuguesa com duas jovens”, a Âmbar, em que foi concebido um produto com base no óleo de grainha de uva.

“Começámos a querer aventurarmos numa área diferente e cada vez mais apostar em produtos que possam trazer este lado de inovação, mas também da economia circular”, explica, adiantando que a Âmbar tem dois produtos – creme de mãos e de corpo – e agora a ideia é alargar para os esfoliantes, sendo que a recetividade tem sido boa.

Relativamente à internacionalização, a empresária recorda que a produção “é finita”, pelo que é preciso “gerir bem”.

Isto porque “não nos interessa estar em todos os países do mundo a menos que tívessemos produção para isso”, aponta.

“Queremos estar naqueles que nos acrescentam valor, o grupo Nabeiro está presente, além de Portugal – estou falar neste caso de comercialização e distribuição – Espanha, França, Suíça, Luxemburgo”, como também Brasil e Angola, “são tudo portas que estão abertas” num universo em que a Adega Mayor concorre com todas as outras marcas.

Há mercados “onde não estamos diretamente, estamos a falar dos Estados Unidos, por exemplo, de Inglaterra”, que são mercados que não só do ponto de vista de potencial “são interessantes, mas também porque criam um barómetro para aquilo que é a visibilidade das marcas”, sublinha.

Além destes países onde o grupo já está presente, também se encontra na Alemanha, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica.

Sobre o mercado externo onde mais vende, Rita Nabeiro conta que antes era Angola e hoje é a Suíça, onde tem tido “um crescimento consistente”.

O mercado externo representa “à volta de 25%” das vendas da Adega Mayor e Rita Nabeiro gostaria de reforçar a presença nos Estados Unidos e na Dinamarca e entrar em outros mercados como a Suécia e o Canadá.

A empresária destaca ainda o papel do comércio eletrónico – a Adega Mayor era das poucas marcas de vinhos com uma plataforma de vendas ‘online’ no início da pandemia – que nesse período permitiu “crescer exponencialmente a nível de vendas ‘online’”.

O peso do comércio eletrónio ronda entre 1% e 2%, tendo abrandado agora um pouco, mas “não voltou aos níveis pré-pandemia”, salienta.

Atualmente trabalham 53 pessoas na Adega Mayor e a empresa vai reforçar neste período devido à vindima.

“É preciso obviamente uma imigração qualificada, mas também precisamos de mão de obra para estes setores primários”, defende, salientando que há “concorrência” na área geográfica, quer do amendoal como do olival.

“Há muito trabalho neste período do ano e há uma competição pelos recursos, nós como grupo temos essa capacidade de atração e isso tem sido possível, mas temos de começar cada vez mais cedo”, remata.

Dona Maria, a dominar a vista do casario portuense

  • Ago 16
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 4 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

Uma das particularidades interessantes do Dona Maria, restaurante associado ao hotel portuense The Lodge, é que toda a génese da cozinha que serviu de inspiração ao conceito e, inclusive, do próprio nome do restaurante, foi feita através do famoso livro de cozinha da infanta Dona Maria, conhecido por ser o mais antigo manuscrito de cozinha em português.

Segundo o chef João Vieira, “um chef não cozinha, vende sonhos, e nesses sonhos estão presentes, por exemplo, memórias de infância. E esse deve ser, o objetivo de qualquer chef – conseguir através dos pratos que prepara reavivar memórias de família, de vivências, experiências, viagens. A gastronomia é um conjunto de memórias, cheiros e boa comida, sendo que o mais importante é, sobretudo, o amor e o carinho com que se elabora os pratos, assim como o respeito pelas matérias-primas e pelos produtos que se usa na confeção dos mesmos”.

O chef João Vieira, que abraçou este projeto desde maio deste ano, depois de ter passado pelas cozinhas do Grupo Pestana, Sheraton ou Tivoli, revela qual o maior desafio ao desenhar a nova carta do Dona Maria: “Pegar no ingrediente mais simples e fazer dele algo com um sabor sofisticado e tornar um prato elaborado e refinado em algo genuinamente simples, foi sem dúvida o maior desafio”.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.

Rum e licor da Madeira vão ter taxa reduzida de imposto de consumo

  • Ago 12
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 4 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

“A Comissão concluiu que o regime é necessário e adequado para manter a produção local de rum e outros licores essenciais para a economia desta região ultraperiférica, contribuindo assim para o desenvolvimento regional”, explica o executivo de Bruxelas.

A Comissão Europeia aprovou hoje a aplicação de uma taxa reduzida do imposto especial de consumo sobre o rum e licores produzidos na região autónoma da Madeira, aplicável agora também à venda destes produtos em Portugal continental.

Em comunicado, o executivo comunitário indica que deu ‘luz verde’ a esta ajuda estatal num montante estimado de 17 milhões de euros, “a fim de compensar os custos de exploração adicionais suportados pelos produtores desta região ultraperiférica”.

“A Comissão concluiu que o regime é necessário e adequado para manter a produção local de rum e outros licores essenciais para a economia desta região ultraperiférica, contribuindo assim para o desenvolvimento regional”, explica o executivo de Bruxelas.

Além disso, “a Comissão concluiu que o regime é proporcional, uma vez que o montante da ajuda é limitado ao mínimo necessário para compensar os custos adicionais incorridos pelos produtores, e não terá efeitos negativos indevidos na concorrência e no comércio na UE”.

Bruxelas aponta que este esquema, que vigorará até dezembro de 2027, substitui um esquema existente aprovado pela Comissão em março de 2015 e prolongado até 31 de julho de 2022″, mas sublinha que, “enquanto o regime anterior se aplicava apenas aos produtos alcoólicos tradicionais vendidos na Madeira, a medida hoje aprovada aplicar-se-á também a estes produtos quando vendidos em Portugal Continental”.

Em 24 de maio passado, a Assembleia da República aprovou a aplicação de um imposto especial sobre o consumo de álcool inferior à taxa normal quando estão em causa rum e licores da região autónoma da Madeira.

A proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), apresentada pelos deputados do PSD/Madeira, foi aprovada com os votos favoráveis do PS, PSD, Iniciativa liberal, PCP e Bloco e Esquerda, a abstenção do Chega e o voto contra do PAN.

Na exposição de motivos, os deputados da Madeira lembram que “Portugal é autorizado a aplicar uma taxa do imposto especial sobre o consumo de álcool inferior à taxa plena do imposto aplicável ao álcool fixada nos termos do artigo 3.º da Diretiva 92/84/CEE ao rum e aos licores produzidos na Região Autónoma da Madeira quando consumidos em Portugal continental”.

Assim, a taxa do imposto relativa ao produto com a denominação geográfica de “Rum da Madeira” é fixada em 40% da taxa prevista e em 28% no caso dos licores e os «crème de» produzidos a partir de frutos ou plantas regionais.

Dona do Minipreço está a vender parte da operação em Portugal

  • Ago 12
  • 0
  • admin
Este artigo foi publicado originalmente n’O Jornal Económico a 4 de agosto de 2022. Leia o original aqui.

 

Grupo DIA, a dona dos supermercados Minipreço, tem vindo a registar prejuízos e há dois dias vendeu 235 lojas em Espanha. Parte da operação portuguesa também estará à venda, apurou o JE.

O Grupo DIA, donos dos supermercados Minipreço, iniciou negociações para vender parte da sua operação em Portugal, apurou o Jornal Económico (JE).

O grupo com sede em Espanha – e que em Portugal opera num regime misto, com lojas próprias e uma rede de franchisados – anunciou esta quinta-feira prejuízos de 104,7 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. Um resultado que se reduz em apenas 0,1% face às perdas no primeiro semestre de 2021 (mais impactado pela pandemia de Covid-19). Já a dívida financeira do Grupo, por seu lado, “aumenta 71,9 milhões face a dezembro de 2021, para os 476,1 milhões de euros”. Este “aumento deve-se principalmente aos 134,3 milhões investidos no semestre, dos quais cerca de metade correspondem a investimentos previstos no âmbito do programa de remodelação de lojas que a empresa está a realizar”.